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30 de abril de 2017

Paço da Marquesa, no Porto

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«É composto por um prédio de dois pisos que ocupa os números 21 a 25 da Rua de Cimo de Vila e que ficou conhecido como Paço da Marquesa, está estreitamente ligado a duas das mais importantes instituições de caridade e acolhimento de meninos órfãos fundadas no século passado. 

O edifício foi construído em 1494 pelo alcaide-mor do Porto João Rodrigues de Sã e Meneses, pai de Francisco de Sã e Meneses, primeiro conde de Matosinhos e S. João da Foz. Por sucessão, passou aos condes de Penaguião e, mais tarde, aos marqueses de Fontes e Abrantes, em cuja família continuou até 1864, ano em que o último marquês de Abrantes, José Maria da Piedade Lencastre, o vendeu ao seu procurador. O novo proprietário reformou completamente o prédio e vendeu-o depois, em 1875, ao capitalista portuense João Bernardino de Morais. 

Este antiga casa nobre que, durante 370 anos, se conservou na posse da mesma família, é hoje um prédio vulgaríssimo, completamente desfigurado da sua traça original, mas ainda assim conhecido por Paço da Marquesa (ainda há poucos anos lá existia a Pensão Marquesa), pelo facto de, nos princípios do século XIX, nele ter vivido a penúltima marquesa de Abrantes, D. Helena de Vasconcelos e Sousa, filha dos segundos marqueses de Castelo Melhor, uma mulher cuja bondade e simpatia a tornaram querida e estimada dos portuenses. 

Este Paço da Marquesa, para além das ligações às ilustres e nobres famílias que o habitaram, tem, no seu historial, outros motivos históricos dignos de realce. De 1810 a 1825, por cedência da marquesa, esteve nele instalado o Recolhimento de Nossa Senhora das Dores e S. José das Meninas Desamparadas, voltando a ser ocupado mais tarde, durante 38 anos (l825-1863), por outra instituição similar, o Seminário dos Meninos Desamparados. 

Esta residência fidalga teve, nos seus tempos áureos, um recheio de invulgar riqueza. Com os acontecimentos políticos da primeira metade do século passado, tão adversos à nobreza, e as sucessivas mudanças de proprietário, perdeu todo o seu valor, não só patrimonial como arquitectónico, sucumbindo às transformações que nele foram feitas à medida dos novos destinos que eram dados ao prédio. 

Os últimos valores artísticos que perdeu foram os lambris de belos azulejos neoclássicos que cobriam o corredor que ligava a porta de entrada às escadas de acesso ao andar nobre da casa.»


Fonte www.portoxxi.com
Foto www.floret.pt